ALEMG - PROJETO SOBRE REAJUSTE PARA SERVIDORES SEGUE PARA A FFO -
PL 3.843/13 foi discutido em audiência que precedeu a votação do parecer na Comissão de Administração Pública.
A
Comissão de Administração Pública da Assembleia Legislativa de Minas
Gerais (ALMG) aprovou, na manhã desta quinta-feira (11/4/13), parecer de
1º turno favorável ao Projeto de Lei (PL) 3.843/13, do governador,
que trata de reajustes salariais e gratificações para uma série de
carreiras de servidores do Poder Executivo.
O projeto agora segue para a Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária (FFO).
O
parecer do relator, deputado Leonardo Moreira (PSDB), foi pela
aprovação do projeto na forma do substitutivo nº 1, da Comissão de
Constituição e Justiça (CCJ), com as emendas de 1 a 8,
que apresentou. O substitutivo apenas aprimorou a redação de alguns
anexos e dispositivos, além de sanar omissões, adequando a proposição às
normas constitucionais. Já as emendas visam somente a “corrigir erros
materiais” existentes no texto da CCJ. Outras
seis propostas de emendas apresentadas na reunião receberam parecer
pela rejeição.
De
acordo com o PL 3.843/13, diversas carreiras do Poder Executivo terão
as tabelas de vencimento básico alteradas. Os artigos 1º a 5º contemplam
categorias que não tiveram reajustes salariais
específicos após abril de 2012. Na primeira etapa do reajuste, que terá
vigência no mês seguinte à publicação da lei, o Executivo pretende
concretizar uma padronização dos valores iniciais das tabelas, de acordo
com a escolaridade exigida para o ingresso no
cargo. Os valores-referência propostos são: R$ 715,91 e R$ 954,55 para
nível médio; e R$ 1.085,57 e R$ 2.083,72 para carreiras de formação
superior. Tais valores são para cargas horárias de 30 e de 40 horas
semanais, respectivamente. Na segunda etapa do reajuste,
que vigorará a partir de abril de 2014, as tabelas de vencimento básico
padronizadas terão um acréscimo de 10%.
As
tabelas das carreiras que exigem nível fundamental serão reajustadas em
5% no mês seguinte à publicação da lei. O mesmo índice será aplicado às
tabelas cujos valores atualmente são maiores
que os adotados como referência para a primeira etapa do reajuste. Os
reajustes propostos não serão deduzidos da Vantagem Temporária
Incorporável (VTI) e incidirão sobre vantagens pessoais.
Há,
ainda, uma série de casos específicos tratados pela proposição, além da
criação e a extinção de cargos no âmbito do Executivo.
REPRESENTANTES DO FUNCIONALISMO E DEPUTADOS DISCUTEM O PROJETO -
Em
audiência pública que precedeu a aprovação do parecer, representantes
de cinco categorias do funcionalismo fizeram críticas e apresentaram
sugestões para o aperfeiçoamento da matéria. A maior reclamação
dos servidores foi expressada inicialmente pelo deputado Sargento
Rodrigues (PDT), autor do requerimento para a reunião, juntamente com
Rogério Correia (PT). Segundo Rodrigues, o projeto prevê que a hora
trabalhada por um servidor com jornada de 30 horas semanais
passa a valer menos do que para quem tem jornada de 40 horas. Essa
distorção analisou Correia, na prática força os servidores a optarem
pela jornada de 40 horas. O que não seria possível, por exemplo, para os
terapeutas ocupacionais, que, por lei, só podem
trabalhar 30 horas por semana. Sargento Rodrigues adiantou que, caso os
problemas apontados pelos sindicalistas não forem corrigidos, ele vai
apresentar emendas em Plenário para que isso aconteça.
Outra
reivindicação apresentada na audiência pública foi a inclusão, no
projeto, dos funcionários do Ipsemg. De acordo com a presidente do
SISIPSEMG, Maria Abadia de Souza, as carreiras de
auxiliar, técnico e analista do órgão não estão sendo contempladas,
como também não o foram no reajuste concedido em abril de 2012, que
incluiu apenas os médicos do Instituto. Além de tratamento igualitário,
Abadia cobrou que o governo atenda a duas antigas
reivindicações da categoria: a revisão de seu plano de carreira e a
realização de concurso público.
A
dirigente sindical e o deputado Rogério Correia criticaram a redução,
de 46% para 40% da Receita Corrente Líquida do Estado, dos gastos do
Poder Executivo com salários. Isso mostra, de
acordo com Abadia, que há margem para oferecer melhores salários aos
servidores sem comprometer a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
Correia anunciou que vai apresentar emendas ao PL 3.843/13 para que isso
aconteça, mas adiantou que elas deverão ser rejeitadas
pelos deputados da base governista.
O
deputado Leonardo Moreira defendeu que o governador pratica a
responsabilidade. “Qual governante não gostaria de estar anunciando um
piso salarial muito maior, dentro do que a lei permite?
Mas o Governo de Minas só pode assumir um compromisso que ele vá
cumprir”, ponderou. Ele disse ainda que, como relator do projeto, não
foi procurado por nenhum representante sindical para aprimorá-lo.
Outros
deputados que participaram da audiência também se manifestaram.
Lafayette de Andrada (PSDB) admitiu que os servidores merecem aumentos
maiores, mas ponderou que, ao longo dos últimos
dez anos, foram dados os melhores reajustes em Minas Gerais. “Mas tudo
dentro da possibilidade”, afirmou. “Está sendo feita justiça com quem
está na base da pirâmide do funcionalismo”, continuou. Adelmo Carneiro
Leão (PT) fez críticas ao abismo entre os maiores
e menores salários pagos no Estado. Ivair Nogueira (PMDB) alertou para a
dificuldade dos servidores em conseguir migrar do regime de 30 para 40
horas.
PROJETO DIVIDE OPINIÕES DE SINDICALISTAS -
Representando
os servidores do sistema socioeducativo e prisional, o membro do
SINDPÚBLICOS/MG, José Lino Esteves dos Santos, mostrou seu contracheque.
Ele disse que, com cinco anos de serviço, tem
salário bruto, incluindo as gratificações e auxílios, de R$ 1.515,53,
mas o vencimento líquido, após os descontos, cai para R$ 1.010,08. A
aprovação do PL 3.843/13, para sua categoria, vai representar reajuste
de R$ 150. “Para nós isso é importante, porque
vivemos em situação de penúria”, disse Santos.
Para
o coordenador da INTERSINDICAL/MG, Geraldo Antônio Henrique da
Conceição, o governo discrimina servidores de nível fundamental e médio,
colocando-os em um nível salarial insuficiente
para a sua sobrevivência. Segundo ele, técnicos ganham pouco mais de 5%
do salário do auditor, enquanto os analistas recebem 30% do salário de
gestor. “Como falar em justiça social com essa discriminação?”,
questionou, cobrando mais equilíbrio nas tabelas
salariais do funcionalismo.
Já
o presidente do SINDIFISCO/MG , Lindolfo Fernandes de Castro, chamou o
PL 3.843/13 de uma “colcha de retalhos”, que contempla alguns servidores
em detrimento de outros. “Temos que construir
uma unidade para enfrentar o governo e não cair na armadilha que ele
nos colocou, para brigarmos uns com os outros”, afirmou. Essa afirmação
foi repudiada pelo deputado Leonardo Moreira.
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